24 de abr de 2010

O Espaço Aberto Literatura entrevista Tanussi Cardoso e Salgado Maranhão

O Jornalista e escritor Claufe Rodrigues do Programa Espaço Aberto Literatura, da Globo News, entrevistou nessa sexta-feira, os poetas contemporâneos, Tanussi Cardoso (que lançou recentemente o seu livro, 50 poemas escolhidos pelo autor, na Casa de Cultura Laura Alvim) e Salgado Maranhão. Ambos puderam falar da transição literária ocorrida no final da ditadura militar e suas conseqüências nos dias atuais.
Num bate-papo literário e descontraído, os poetas puderam discorrer de tudo um pouco: Salgado comentou de seu ídolo na juventude, Torquato, que fazia parte do movimento da tropicália e a origem de seu nome “Maranhão” que, segundo o poeta, refere-se ao seu estado natal.
Tanussi se lembrou de sua infância e do gosto adquirido pela literatura em virtude do pai, que era dançarino de tango e gostava da noite... Cresceu ouvindo os grandes poetas, as músicas e enfatiza que a oralidade faz parte de seus poemas, assim como o ritmo constante do verso, mesmo sem rima, da harmonia entre as palavras, que diz ser característica essencial a todo poeta. Falaram também sobre as dificuldades do mercado editorial quanto à publicação, distribuição e divulgação de suas obras e o público reduzido que o poeta Salgado Maranhão observou tão bem. Conforme Salgado, a poesia mesmo estando inserida na vida de todas as atividades da comunicação, ela como totem, ela, ainda, é marginal, está reclusa. Segundo ele, poucas as pessoas identificam o poema propriamente dito, elas não têm o consumo dirigido para a poesia e não existe emprego para o poeta. Em contrapartida, Salgado diz que esta pode ser a riqueza do poeta, a sua gratuidade, porque a poesia não tem compromisso nenhum, com nenhum tipo de negociata, ninguém nos quer para negociata.
Claufe pergunta aos poetas se a paixão pela poesia permanece inalterada, e Tanussi é enfático em afirmar que continua e como ele próprio diz: acho que não dá para respirar sem poesia, você pode nem fazer um livro, mas se não tiver o poema pronto, o Ermance da poesia dentro de você, você não é nada, eu não sou nada! E Salgado Maranhão completa: é só alegria, é como ver o rosto de Deus.
Para finalizar, O Espaço Aberto suscita: O que é melhor, a sensação de terminar um poema ou de publicar um livro?
Para Tanussi, uma coisa complementa a outra, sendo que, a sensação de terminar um poema, ainda, é melhor. Maranhão também aposta no poema e faz uma analogia entre livro e filho e diz que às vezes também ele fica com a sensação de acordar de noite e tocar no livro, na corporatividade do livro. O livro, segundo Maranhão, é uma entidade suprema, mas o principal é o poema.
No decorrer da entrevista a performance de Paulo Betti abrilhantou, ainda mais, o Espaço Aberto, declamando poesias de Tanussi e Salgado, dentre elas: Do aprendizado do Ar, Chão de estrelas; A cor da Palavra; Sertânica I...
Confiram abaixo algumas fotos da entrevista dos poetas que por faceta eu as tirei dali mesmo, do meu sofá, no aconchego de minha casa.



Crédito das fotos: Luciana Tannus

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Luciana! Você contribuiu para uma maior visibilidade na internete, da trajetória de 2 poetas maravilhosos: Tanussi Cardoso e Salgado Maranhão. Ótimo trabalho.
Bj
Celi Luz

TANUSSI CARDOSO disse...

Oi, Luciana, obrigado pelo carinho e pela divulgação, não somente dos poetas Tanussi e Salgado, mas, principalmente, do POESIA, essa "entidade" tão maltratada por nossas mídias. Tê-la (a poesia) numa grande emissora, em horário nobre, é um presente para todos os poetas e para quem a ama.
Muito obrigado pela sensibilidade ao transcrever o programa, tão bem produzido e dirigido pelo Claufe Rodrigues.
Abraços fraternos, Tanussi Cardoso

Gilson Melo disse...

Conheço em especial o trabalho do amigo Tanussi Cardoso. Não é por ser meu amigo, mas adoro as suas poesias. É legal ver o trabalho de um grande amigo, ultrapassando as fronteiras da internet. Parabéns pela divulgação.
Um abraço,
Gilson Melo

Ricardo Alfaya disse...

Boa ideia tirar as fotos em frente à TV. Isso é que é espírito jornalístico. Gostei do resumo. Parabéns a todos. Ricardo Alfaya, escritor, Rio de Janeiro-RJ.